• AdA #01 — Chinatsu


    Arte feita por Chinatsu.

    Comentários sobre a Fanart. — Grovy

    Aqui estamos para inaugurar o Ateliê da Ayla, a primeira fanart de Decolore, que emoção, eu não esperava receber uma arte tão cedo, então quando o China comentou que estava fazendo eu fiquei muito surpreso, e no final ainda acompanhei o processo dele desenhando então foi muito especial :3

    E que felicidade é ver a Kai em uma fanart, admito que no início eu estava meio receoso quanto a recepção de uma personagem original sem o apego inicial que já se tem a certos personagens, então receber uma fanart dela me deixa muito feliz de verdade.

    E eu curti muito mano, ela ficou linda no seu traço, e os cabelos ao vento junto com o mar de fundo deram muito essa sensação de movimento, obrigado mesmo cara :)
  • O Ateliê da Ayla



    — Bem vindos ao meu humilde ateliê, aqui, neste confortável espacinho aqueles que desejarem poderão expor suas obras para todos, sintam-se em casa :)

    Ayla é uma das primeiras personagens a ser apresentada, com seu caderninho de desenhos e ao lado de seu Smeargle não é tão difícil deduzir que ela é uma artista, logo, nada mais justo que ela ser a representante da página dedicada as artes não é mesmo?

    De maneira bem simples, nesta página serão reunidas todas as artes enviadas relacionadas ao blog, valendo lembrar que algo como um "nível necessário" da sua arte não existe, no final o que importa é ter se divertido no processo, então não sintam-se envergonhados caso sejam iniciantes, não é vergonha nenhuma estar praticando algo que você goste, todos serão recebidos com muito carinho.

    Como envio uma arte?

    Boa pergunta jovem padawan, você pode enviar como anexo para o e-mail abaixo, peço que por favor se identifique( não é necessário seu nome real, apenas um nickname para que sua arte seja creditada devidamente), um textinho comentando a arte pode acompanhar para ser postado em conjunto. Obs: Pedimos que sua obra não desrespeite ou ofenda ninguém, neste caso não será postada.

    E-mail para contato: NeoDecolore@outlook.com


    Artes 
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  • Capítulo 5



    O ar gélido gerado artificialmente naquele lugar proporcionava um breve momento de descanso para aqueles que se refugiavam do calor comum daquelas terras.

    As vidraças davam para a rua e permitiam visão dos transeuntes em suas calmas vidas. No interior do local a sensação era tranquilizante. Atrás de um balcão branco uma mulher de avental azulado tomava conta do caixa. Dispersas pelo salão várias mesinhas eram vistas, a maioria acompanhavam pares de cadeiras, e toda a paleta de cores do local usava tons frios variando entre branco e azul. Em uma das paredes havia uma televisão ligada em um dos jornais da região, uma mulher de cabelos azulados dava uma entrevista.

    Algumas crianças passavam felizes ao lado de seus pais carregando em suas mãos sorvetes com formato de Vanillish.

    Em uma das mesas do lugar dois jovens estavam sentados tomando milkshakes. De um lado da mesa uma garota sorridente tomava um de chocolate, do outro lado havia um garoto de olhar cansado que experimentava um com sabor de limão.

    Estavam ali há algum tempo, haviam decidido explorar a ilha sem um rumo definido. Vagaram por umas hora, viram alguns pontos interessantes do lugar. Kai chegou até a tirar algumas fotos da arquitetura local, queria aproveitar seu momento de turista. Durante o percurso iam conversando e se conhecendo mais, e em determinado ponto de seu passeio viram algumas crianças carregando sorvetes, descendo as ladeiras do lugar. Seguiram pelo caminho que elas vinham até encontrar uma sorveteria com uma inscrição em letras garrafais "Sorvetes & Geladinhos: Gotas de Limão."

    Os dois não pensaram duas vezes antes de entrar no local, e agora se encontravam matando tempo e fugindo momentaneamente do sol que os castigava. Oliver parecia mais afetado e fazia questão de tomar seu milkshake lentamente. Kailani estava terminando o seu enquanto distraída mexia em seu celular, procurando por algo que lhe interessasse naquele lugar. Havia um rio que cruzava a ilha, não era a coisa mais legal do mundo, mas ainda assim era legalzinho.

    Tirou o olhar do aparelho por um momento, voltando sua visão aos olhos do rapaz a sua frente. Ele corou mas ainda manteve o contato visual por alguns instantes até virar o rosto para o lado, em direção a vidraça. O jovem a deixava curiosa, ela sabia tão pouco sobre ele... Em seu primeiro contato ele apresentara uma personalidade explosiva e irritadiça, mas aquilo sumira. Mesmo que um pouco distante ele mantinha um comportamento calmo e agradável, por vezes chegando até a uma leve timidez, e isso fazia com que ela se questionasse sobre qual delas seria sua verdadeira natureza.

    — Ei, porque você quis vir aqui comigo? – ela questiona.

    — Porque eu tava morrendo de calor, esse lugar é o paraíso.

    — Não, não isso, estou falando sobre passear aqui comigo. Você nem me conhecia direito, qual seu objetivo? O que você ganha com isso?

    Ele riu, afinal, ela tinha um bom ponto.

    — Sei lá, acho que eu queria ter uma companhia. – ele sorria meio embaraçado. – Viajar sozinho é legal, você tem liberdade pra fazer o que quiser, mas depois de um tempo é meio solitário, você conhece pessoas pelos lugares que passa mas inevitavelmente elas ficam pra trás enquanto você tenta seguir em frente.

    Durante alguns segundos a garota refletiu sobre as palavras dele, não esperava uma resposta como aquela, achava que seria algum motivo bobo. Aquilo a fez pensar, não por ser alguma conclusão genial sobre a vida ou algo do tipo, mas sim pois ela ainda não havia pensado nisso. Ela estava acostumada a perder pessoas, seja por algo que não poderia ser evitado, sejam amigas que se mudaram pra seguir seus próprios sonhos. Durante toda sua vida ela foi a pessoa deixada pra trás. Enquanto todos seguiam em frente ela parecia criar raízes que cada vez mais a impediam de voar e alcançar os céus, por isso em nenhum momento ela parou pra pensar no outro lado da moeda, que para aqueles que partem também é doloroso. Ela se sentia uma completa idiota por perceber isso somente agora.

    — Não precisa ficar tão pensativa assim, eu entendo sua desconfiança, tá tudo bem. – ele sorria, tentando fazer com que ela ficasse mais confortável com a situação.

    — Há quanto tempo você viaja, Oliver?

    — Quanto tempo? – pensativo, tentando relembrar-se do passado. – Um ano e meio mais ou menos, mas aqui em Decolore faz só uns seis meses.

    Ela concordou acenando com a cabeça. Se perguntava o que o trazia àquele distante lugar, e mesmo que tivesse feito diversas questões as quais ele respondeu prontamente, ela sentia que perguntar o motivo dele estar ali seria indelicado de sua parte.

    Não sabia como prosseguir naquilo, queria mudar de assunto pra algo menos pessoal e mais leve, até que avistou aquela televisão que ainda estava na mesma entrevista.

    — Ela é linda né? – ela aponta em direção ao aparelho numa óbvia tentativa de mudar o rumo da conversa.

    Ele se virou acompanhando o dedo dela. Na TV a mulher de cabelos azulados ainda falava, ela estava na sala de uma grande mansão. Diversos troféus de campeonatos eram vistos nas estantes, e por trás das janelas de vidro via-se o céu azulado, e, ao que parecia, onde quer que aquela mansão estivesse ela se encontrava em um lugar alto.

    O rapaz olhou por alguns instantes com uma cara confusa, parecia tentar reconhecê-la sem sucesso algum.

    — Ela é bonita sim, mas quem é ela?

    Uma expressão de incredulidade tomou o rosto de Kai. Como ele poderia não conhecer aquela mulher?

    — Você não conhece a Aurora? – ela parecia genuinamente indignada com aquilo. – Como você não conhece a treinadora mais famosa de todo o arquipélago?

    — Já disse que não sou daqui...

    — Ela é conhecida no mundo todo. – rebateu.

    — Ok, a culpa é minha em não saber, mas então, quem é ela? Fiquei curioso.

    — Simplesmente a treinadora mais conhecida de Decolore pelo mundo? Ela viajou por várias regiões competindo em ginásios e ligas. – enquanto falava ela ia se empolgando cada vez mais. – A Aurora ganhou tanta fama vencendo ligas e torneios que a imprensa daqui começou a chamar ela de "A Mulher que Conquistou o Mundo", o nome pegou e até hoje ela é conhecida assim por aqui.

    Oliver parecia fascinado com a história que ela contava. Os olhos verdes da garota se enchiam de alegria ao falar daquela mulher.

    — Você é bastante fã dela né?

    — Óbvio! Eu cresci assistindo as batalhas dela na tv. – ela pensou um pouco. – Sabe, eu lembro que quando eu tinha uns oito anos, eu vi uma batalha dela sendo transmitida. Era tão mágico... Sei que ela ganhou, era contra algum campeão, mas não lembro de qual região.

    — Pera aí, você tá me dizendo que ela foi campeã de uma liga? – a expressão de surpresa estampava o rosto dele.

    — Que eu lembre foi mais de uma. Mas ela nunca aceitou assumir cargo, mas não sei seus motivos.

    — Ela parece um pouco nariz empinado, quem recusaria um cargo tão importante mais de uma vez? – o garoto parecia guardar certo rancor em sua frase.

    — Discordo. Mesmo se ela fosse assim por quê continuar vivendo aqui, então? Ela tem dinheiro o suficiente pra comprar uma mansão em qualquer canto do mundo e viver o resto da vida tranquila. Ainda assim até hoje ela vive na ilha em que nasceu. É algo meio bobo, mas ela é uma inspiração pra muita gente, saca?

    Ele acenou concordando com a cabeça, parecia pensar sobre aquilo, durante alguns minutos os dois ficaram em silêncio apenas assistindo o que se passava na entrevista.

    — Absol, use Razor Wind. – Aurora comandava.

    O pokémon de pelagem branca balançou suas grandes asas que brilhavam intensamente liberando uma onda cortante contra seu oponente.

    Do outro lado da arena um Dragonite recebia o golpe diretamente, segurava o impacto ainda que suas escamas mostrassem os efeitos dos cortes consecutivos.

    — Dragon Tail vindo de cima. – uma voz masculina fora ouvida, ainda que a câmera não focasse em seu rosto.

    O pokemon dracônico alçou voo em alta velocidade. Seu corpo gordinho não reduzia em nada seus movimentos,  e a criatura subiu pela arena tornando difícil para que seu oponente mantivesse ele a vista. Quando alcançara altura suficiente parou no ar batendo suas asas e localizando o oponente, e em uma fração de segundos o dragão descia com tudo contra o Absol, sua cauda brilhava e com a aceleração da queda o impacto criado  seria enorme.

    — Espere o momento certo, você sabe o que fazer. –  sua voz era calma e tranquila, parecia não ver perigo no que acontecia em frente a si.

    Quando o Dragonite estava há poucos metros de sua cabeça, os olhos do alvo brilharam em um intenso tom azul e subitamente tudo ao seu redor pareceu perder a velocidade. O Detect permitia que ele visse com facilidade a aproximação do golpe, então apenas saltou para trás desviando com muita facilidade do ataque que poderia vir a encerrar a luta.

    Tudo aquilo aconteceu muito rápido, para todos que assistiam apenas ouviu-se o estrondoso barulho causado no impacto e eram impedidos de ver o que ocorria devido a poeira levantada pelo impacto.

    — Blizzard. - a mulher ordenou.

    De dentro da nuvem criada anteriormente ouviu-se o som de asas batendo. A poeira era dispersada enquanto uma grande tempestade de gelo se expandia vinda de lá.

    O bater de asas limpara o campo e permitia que todos tivessem visão da arena. Mega-Absol ainda estava em pé, e seu corpo não apresentava nenhum arranhão. Já o pobre Dragonite estava caído no chão, tendo em em sua cauda diversos machucados provocados pelo impacto contra o chão, e por todo o seu corpo era possível ver cortes causados pela tempestade de gelo, e algumas de suas escamas ainda tinham  resquícios de gelo.

    Durante um instante toda a arena se calou, todos incrédulos com o que acontecera. A calmaria não durou muito, e em seguida o barulho da plateia gritando animadamente, mesmo não entendendo o que acontecera, foi ouvido.

    Subitamente um corte ocorre na transmissão, e os registros da batalha deram lugar a aquela mesma sala que eles haviam visto antes. Aurora comentava a batalha com uma mulher de cabelos castanhos que lhe fazia algumas perguntas, e pelo seu rosto era possível ver que certamente as gravações da batalha tinham uns bons anos. Ainda assim ela não era velha, devia ter seus vinte e poucos anos, apenas começara muito nova no mundo das batalhas.

    Após algumas perguntas genéricas que ela certamente respondera antes, um comercial interrompeu o programa.

    Os dois jovens haviam acabado seus milkshakes e se encaravam.

    — Vamos? – Kai pergunta fazendo um gesto com a cabeça em direção a porta.

    O rapaz confirmou e os dois saíram do estabelecimento. Quando finalmente estavam fora começavam a sentir falta do friozinho da sorveteria.

    — Você sabe para onde estamos indo? – perguntou Oliver, que lembrava que eles até momento não faziam ideia de onde deviam ir.

    — Não faço a menor ideia do que estou fazendo.

    — Você sabe que não devia se orgulhar disso né?

    — Não me orgulho, mas o que de pior pode acontecer?

    Oliver parou por um momento. Ele tinha diversos motivos para explicar como aquilo poderia dar tremendamente errado. Nenhum dos dois conhecia o lugar e não faziam ideia de onde podiam se meter. Ainda assim preferiu não comentar todos seus problemas com aquela ideia boba, gostava do otimismo da garota, mesmo discordando dele.

    A dupla manteve seu caminho pelas ruas da cidade. Passaram pela área residencial do lugar, haviam pessoas nas calçadas em mesas de restaurantes e alguns Rockruff’s corriam pelas avenidas agitados, latindo atrás dos carros. O clima era tranquilo, entretanto conforme eles subiam para as áreas mais altas do local as casas que antes enchiam as ruas lentamente começavam a serem mais espaçadas e mais simples, na mesma medida a área verde aumentava rapidamente.

    Em certo ponto as casas haviam ficado para trás e eles seguiam por uma trilha de terra batida. A grama crescia por toda parte e a leve brisa era agradável. Ouviam o barulho dos pokémon que ali viviam que intensificava depois de deixar os ruídos típicos das cidades e suas máquinas barulhentas feitas de ferro. Também podiam ouvir a correnteza de um rio, mesmo que ainda não o tivessem visto.

    — Ei, tá ouvindo isso? – ela pergunta parando e levantando um dedo indicando que ele fizesse silêncio.

    — Água corrente?

    — Exato, vamos seguir o som da água. – e saiu correndo na frente.

    Oliver tinha conhecimento o suficiente , vindo do tempo que viajara, pra saber que um rio era uma boa forma de se guiar, além de poder conseguir água. Porém eles não estavam perdidos, logo ele não via muito sentido nisso, mas ela disparara na frente, e tudo o que lhe restava era segui-la. Ele se perguntava como ela conseguia manter tanto pique pra correr pra lá e pra cá. Chegariam no mesmo lugar andando ou correndo, no final não fazia diferença para ele, não conseguia entender tanta agitação.

    Seguiu o caminho que ela fizera. A garota não estava tão a frente. Se aproximando via que a garota se escondia atrás de uma moita, observando algo no rio. Se aproximou sem fazer barulho até estar do lado dela.

    — O que cê tá fazendo?

    — Shhhhh, fala baixo. – ela sussurra. – Bem ali.

    Kai apontava para perto do rio. As águas claras do lugar corriam ilha abaixo e desaguavam no mar, e na direção que a garota apontava era possível ver uma pequena criaturinha na beira do riacho.

    Seu corpo tinha um formato esférico, uma barbatana caudal era vista, enquanto na frente duas nadadeiras de tamanho reduzido podiam ser observadas. Seu pelo era azulado com tons em bege onde seria sua barriga, seus olhos e orelhas eram grandes e redondos,  e logo abaixo de sua boca duas pequenas presas se destacavam. Seu corpo não parecia ter sido projetado para nadar, e também não se saia muito bem andando, logo ele se movia de maneira desajeitada, por vezes rolando, o que aos olhos de Kai o tornava ainda mais adorável.

    — Eu nunca vi aquele bicho, quero capturar ele. – ela parecia animada na possibilidade de sua primeira captura. Oliver se perguntava como aquele pokemon viera parar ali, pois era óbvio que não estava no seu habitat natural.

    — Você não acha que...

    O garoto não terminou sua frase. Antes que tivesse a oportunidade ela saltou de seu esconderijo enquanto sacava a pokéball de Tomy e a arremessava ao ar.

    O Rotom saiu de dentro da esfera bicolor e flutuou pronto para uma batalha.

    O Spheal encarou o fantasma elétrico de cima a baixo, refletiu por um instante sobre o que acontecia, encarou a garota e simplesmente saiu girando na direção que o rio ia.

    — Mas...o quê? ELE FUGIU?

    — Você assustou ele. – disse Oliver saindo de trás da moita. – Se você correr atrás ainda dá tempo de pegar.

    — MAS TODA HORA ISSO. – e lá se ia ela atrás da foquinha.

    Oliver sorria. Achava genuinamente divertido o comportamento dela, e pôs-se a segui-la.

    Mesmo sendo desajeitado o pequeno Spheal em terra conseguia ser muito ágil girando e rolando por aí, o que fazia com que por mais que  Kai corresse não conseguisse o alcançar. Oliver poderia ter usado seu Braviary para alcançar a foquinha, mas provavelmente Kai não aceitaria. Era a captura dela, não seria justo.

    Os dois correram por alguns minutos. O Spheal girava e girava cada vez mais rápido chegando a destruir algumas pedrinhas e gravetos em seu caminho.

    — Esse bicho não vai parar de girar não? – Kai começava a se cansar dessa correria. – Quer saber? TOMY, THUNDERSHOCK!

    O Rotom que a acompanhava de perto avançou flutuando um pouco acima para ter uma boa visão de seu alvo. Em seguida, uma grande descarga elétrica foi liberada na direção do fugitivo, entretanto para azar dele seu alvo apenas parou de girar abruptamente fazendo com que o golpe atingisse o chão.

    Mas, dessa vez ele não voltou a girar, encarava o seu desafiante com uma expressão agressiva.

    Nesse momento os dois humanos alcançaram o Spheal, eles haviam chegado na base da montanha. Haviam algumas árvores perto, no sopé da montanha uma placa derrubada era vista próximo a entrada de uma caverna.

    — Cansou de fugir? – Kai provocava. – Comece com Antonish! – grita pra Tomy.

    Rapidamente o fantasma desapareceu em frente de seu oponente que parecia confuso sobre para onde ele foi, e não esperava que no segundo seguinte o Rotom se materializasse adiante de si. Tomy usava o plasma de seu corpo para criar uma expressão ameaçadora, que , combinada com o susto da aparição repentina aumentou ainda mais o medo do pequenino que simplesmente paralisou no lugar graças a isto.

    – Mas já? Bom, que seja. – ela sacou mais uma das esferas bicolores, dessa vez uma vazia. – Por favor fique aí.

    Arremessou a Pokéball com força, mais força do que deveria, a esfera passou direto por cima do Spheal acertando uma árvore, mas o universo parecia conspirar a seu favor, a bola atingiu o tronco e ricocheteou direto para o alvo original.

    Uma luz avermelhada surgiu e puxou a criatura para o interior do objeto metálico, contendo toda sua existência naquele apertado espacinho. Um tique e balançou para o lado. Kai estava apreensiva. Mais um tique e mais um balançar. A criatura ainda estava lá. O último tique indicou a captura, seu primeiro pokémon capturado com o próprio esforço da garota em batalha.

    — EU CAPTUREI UM POKÉMON! – ela gritava animadamente enquanto segurava a pokéball que continha seu mais novo companheiro. — VOCÊ VIU ISSO?

    — Você foi muito bem, meus mais sinceros parabéns. – Oliver parecia contente por ela. Ver alguém tendo seu primeiro contanto com os pokémon fazia com que ele se lembrasse do início de sua jornada, e aquilo o deixava feliz. Ela o lembrava de se mesmo mais jovem.

    Liberou seu recém capturado pokémon da pokéball. Ele mal apresentava danos da batalha, e não parecia mais tão assustado, apenas desconfiado.

    Kai segurou ele em seus braços o apertando em um caloroso abraço, o corpo dele era tão fofinho e felpudo que poderia ser facilmente confundido com um bicho de pelúcia.

    — Oi! Eu sou a Kai, a partir de hoje sou sua treinadora. – ela falava olhando diretamente nos grandes e redondos olhos dele. – Espero que a gente se dê bem, esse aqui é o Tomy, seu novo amiguinho. – ela apontava para o Rotom que se aproximava para ver mais de perto.

    Oliver observava tudo de uma certa distância, era realmente inabitual a maneira que ela parecia levar sua vida. Aquilo o encantava. O brilho no olhar dela que há muito se apagara no dele.

    Perdido em seus devaneios sobre seu próprio passado, o garoto teve a impressão de sentir um tremor sob seus pés. E era fraco demais para ser um terremoto, sendo apenas um balançar da terra, como se algo grande se movimentasse em alta velocidade.

    — Ei, você sentiu isso? – perguntou para a garota que brincava no chão com seu novo amigo.

    Claro que ela não ia perceber, do jeito que era distraída aquilo era esperado. Ele procurou ao redor, mas viu apenas árvores e aquela entrada  de caverna.

    Uma curiosidade se instaurou em si. E se o tremor viesse daquela caverna? Não morreria se desse apenas uma breve espiada em seu interior.

    — Me espera aqui, eu já volto.

    Ele andou até a boca da caverna, sentia que os tremores pareciam se intensificar. Chegou na entrada meio receoso do que poderia haver lá dentro. No mesmo instante que colocara o pé adentro uma criatura pulou em cima de si, mas para sua surpresa nenhum monstro gigantesco saltara de lá. Na verdade era bem pequeno. A criaturinha se agarrou em sua perna enquanto chorava copiosamente. Oliver não teve reação, não sabia se o chutava para longe ou se o mantinha ali, mas o pequenino parecia indefeso demais para que ele cometesse tal alto. Pegou-o em seus braços enquanto tentava o acalmar.

    Vendo mais de perto tomou consciência de como ele era. Um dragãozinho de cabeça arredondada com uma protuberância que se estendia na ponta. Saiam de sua boca duas longas presas, e suas escamas tinham uma coloração marrom clara.

    — Você se perdeu ou algo assim? – Oliver tentava obter algum entendimento por parte dele, mas aparentava ser em vão. – E como você fez todo aquele barulho?

    O pequeno Axew parecia se acalmar um pouco.

    — Vou te levar pra fora daqui, talvez com um pouco de sol você melhore.

    O garoto virou-se de costas para sair da caverna, mas os tremores que antes já eram fortes pareciam ter atingido seu ápice.

    Do interior da caverna um grito ecoava e aparentava ser para ele.

    — SAI DA FRENTE!!!!!

    De dentro da caverna uma garota de cabelos vermelhos vinha em disparada montada nas costas de uma Arcanine. Atrás dela, um grande vulto lhe perseguia, que alguns momentos depois fora identificado como uma enorme serpente de aço com olhos avermelhados que brilhavam na escuridão do lugar.

    Tudo o que teve tempo de fazer foi se jogar para fora do lugar, sendo seguido pela moça que se atirou para o outro lado.

    E obviamente para completar a festa o grande titã irrompeu pelas paredes estreitas derrubando rochas e provocando um grande estrondo.

    — Acho que descobri o motivo do seu choro... – Oliver disse ao Axew.

    Toda a barulheira causada pela fúria do Steelix chamara a atenção de Kai. Ela chegara junto com seu Rotom e tinha um bom panorama do que acontecia ali.

    A sua esquerda uma garota alta estava ao lado de um grande Arcanine. Ela tinha olhos negros e seu cabelo era mais curto que o de Kai.



    A sua direita, Oliver levantava-se junto de um pokémon que ela até então não havia visto. No centro uma imponente criatura emitia um enorme ruído sonoro com sua bocarra, um Screech que tentava os intimidar ainda mais.

    — MAS EU TE DEIXO SOZINHO POR CINCO MINUTOS E VOCÊ SAI ARRANJANDO BRIGA, GAROTO! – Kai gritava numa tentativa de ser ouvida em meio ao ruído metálico provocado pelo Steelix.

    — DESSA VEZ NÃO FUI EU! – Oliver retrucou gritando em resposta e apontando na direção da garota. – ELE TAVA PERSEGUINDO ESSA DOIDA AÍ!

    — CALÚNIA! – pela primeira vez Kai via a garota falar. – MAS E AÍ? VOCÊS DOIS VÃO PARAR DE BRIGAR OU VÃO QUERER ME AJUDAR AQUI?

    — QUEM É VOCÊ MESMO? – questionou Kai.

    — VAI QUERER UMA ENTREVISTA JUSTO AGORA?

    Eles provavelmente continuariam sua gritaria sem chegar a lugar algum se o titã de aço não tivesse se cansado daquilo tudo. Batendo sua cauda contra o chão ele fez com que enormes pedras fossem arremessadas na direção de todos os que estavam ali.

    — Extremespeed!

    Uma aura branca envolveu o corpo do canino, suas patas se moviam a uma velocidade impressionante fazendo com que todos vissem apenas borrões dele aparecendo e reaparecendo enquanto desviava com facilidade das pedras atiradas em sua direção. A garota conseguiu se esconder atrás de umas das árvores sem ter tanta visão do campo de batalha.

    Uma das pedras foi arremessada na direção de Oliver passando próximo a sua cabeça.

    — EI MALDITO, NÃO TENHO NADA COM VOCÊ! – ele puxa uma pokéball e arremessa ao ar. – Vamos lá Daru!

    De dentro da esfera um pequeno Darumaka irrompeu em meio a luz avermelhada.

    — Incinerate!

    O pokémon de fogo correu pelo campo, não parecia se intimidar pelo tamanho de seu oponente. Aproveitando que a atenção da serpente ainda estava no Arcanine, aproximou-se o suficiente para conseguir saltar em sua direção, liberando uma grande rajada de chamas vindas de sua boca diretamente contra a cabeça de seu oponente.

    O titã urrou de dor. Seu corpo era resistente mas as chamas o afetavam. Os três jovens tentavam amenizar o som levando suas mãos aos ouvidos, mas mesmo abafando o som não conseguiam amenizar seus corações disparados pelo medo e adrenalina.

    O momento de brilho de Darumaka não durou muito, a reação adversária foi quase instantânea. Enquanto ainda voltava ao chão a cauda do Steelix o golpeou diretamente, lhe empurrando contra seu treinador, derrubando Oliver e o Axew em seus braços que chorava ainda mais alto depois disso.

    Para seu azar o alvo do monstro mudara, este mirava diretamente para o garoto derrubado no chão. Abria sua bocarra criando uma grande concentração de energia mirando diretamente contra eles.

    — CONFUSE RAY! – a voz de Kai foi ouvida comandando o movimento.

    O Rotom surgiu em frente ao colosso, era até difícil percebê-lo devido a desproporção entre os dois. Mas seu tamanho também era uma vantagem, conseguia ficar diretamente em frente aos olhos do Steelix, levantou seus bracinhos plasmáticos emitindo um grande clarão o cegando momentaneamente. Aquilo era suficiente para deixar alguém normal confuso, e para a criatura acostumada a viver nas profundezas da terra era ainda pior. A desestabilização funcionou, e o gigante cambaleou disparando o raio azulado do Dragon Breath numa direção aleatória, errando seu alvo.

    — MINHA VEZ DE ATACAR! –  a desconhecida se aproveitava da chance obtida por Kai, saindo de trás da árvore que se escondia. – Extremespeed!

    Novamente a aura branca surgia em volta do Arcanine, mas dessa vez ele avançava para atacar. Tudo o que viam era um borrão avermelhado avançando pelo campo, tomou impulso saltando com alta velocidade atingindo o rosto do colosso com tudo e o empurrando para o chão.

    O barulho do aço colidindo entre si enquanto ia ao chão era estridente. O impacto no solo fazia com que a terra sob os pés dos jovens tremesse. Mesmo num momento de vulnerabilidade Steelix se mostrava amedrontador.

    — INCINERATE! – Oliver gritava enquanto se levantava do chão junto com os dois pokemon, praguejando baixinho algumas coisas que ninguém entendeu durante o processo. Segurou Daru em suas mãos e o arremessou com tudo contra o gigante derrubado. O pokemon liberava as chamas de sua boca enquanto girava criando uma grande roda flamejante em direção ao colosso. A garota que desconheciam soltou um grito abafado vendo o que acontecia, suor escorria por seu rosto.

    O Darumaka acertou seu adversário diretamente, ricocheteando para trás e continuando a disparar chamas enquanto se afastava.

    — Ô RUIVA! UM GOLPE DE FOGO SERIA ÚTIL AQUI! – Oliver gritava tentando obter a cooperação dela para que juntassem forças.

    — E-EU NÃO POSSO!

    — COMO NÃO?

    — ELA NÃO SABE NENHUM MOVIMENTO DE FOGO! – ela gritava suas palavras quase não parando pra respirar.

    Oliver parecia confuso. Esperava que tivesse ao menos um golpe. Que tipo de pokémon de fogo não sabe usar um mísero Ember?

    Kai também não sabia o que fazer, a única técnica que Tomy conseguia usar com efetividade não causava dano, pois o Steelix era imune a eletricidade. Sobre a bolota azul, ainda não tinha familiaridade com seu recém capturado pokémon, e colocá-lo em batalha seria arriscado demais.

    Mas claro que Steelix não ficaria ali parado recebendo golpes por tanto tempo enquanto os garotos se decidiam sobre suas vidas. Sua cauda  balançou com força chicoteando contra o chão e arremessando novamente mais pedras, dessa vez contra o pobre Darumaka. O impacto das rochas colidindo contra seu corpo o arremessou  contra uma das árvores ali perto e o nocauteou na hora.

    — DARU! – Oliver retornava seu pokémon para a pokéball. Só restava seu Braviary, mas ele não queria o colocar para lutar em tamanha desvantagem. Era burrice, mas era o que tinha.

    — E lá vou eu te levando para uma batalha que não posso vencer, desculpe amigo. – puxou a ultraball do colar em seu pescoço e a arremessou ao ar liberando o pássaro azulado. – EU TENHO UM PLANO, MAS PRECISO QUE VOCÊS CRIEM UMA ABERTURA!

    Os olhos de Kai se encontraram com os da desconhecida e elas pareciam ter entrado em um consenso mútuo do que fariam. Não que fosse algum feito extraordinário, elas apenas haviam usado os mesmos movimentos, era meio óbvio o que podiam fazer.

    — MAIS UMA VEZ TOMY, CONFUSE RAY!

    Tudo se repetiu de novo, o desaparecimento do Rotom, o clarão, e logo o Steelix cambaleava tentando encontrar seus adversários.

    — EXTREMESPEED EM VOLTA DELE! – a treinadora misteriosa ordena.

    O Arcanine corria em círculos em torno da serpente, o que somado a confusão gerada anteriormente o deixava ainda mais perdido, tentando golpear a fera de fogo sem sucesso.

    — VAMOS LÁ, SUPERPOWER! – Oliver gritava com todas as suas forças. Aquela era a cartada final de um garoto desesperado.

    O Braviary avançou pelos ares subindo e pegando impulso. Suas garras brilhavam em um tom alaranjado intenso, e quando atingiu um bom ponto desceu com tudo contra o colosso de aço, com suas gadanhas acertando diretamente os olhos da criatura.

    Um urro de dor foi ouvido. Era ensurdecedor o som,  e inacreditável como a criatura fazia um barulho ainda mais alto que antes. Seu sofrimento era nítido. As queimaduras certamente ardiam ainda mais, e para piorar ocorreu um ataque direto em seus olhos.

    Estava cansado de tudo aquilo. Por tal, com um último urro virou-se para a sua caverna de onde se arrependia de ter saído, avançando pelos túneis com tudo que tinha. Se antes ele causava estrago, sem visão ele derrubava tudo em seu caminho, inclusive a entrada da caverna, que cedeu com sua passagem, assim desmoronando completamente o local e impedindo a entrada de qualquer um por ali.

    — Nós...vencemos...? – Oliver não conseguia acreditar no que acontecera.

    — NÓS VENCEMOS! – Kai comemorava abraçando o garoto com felicidade, seus pokémon também comemoravam a vitória. – E de onde saiu seu amiguinho? – ela apontava para o Axew nos braços dele.

    — Ele meio que grudou em mim...

    Os dois foram interrompidos pelo baque surdo de algo caindo no chão. A garota ruiva estava estirada no solo com seu pokémon. A moça sorria e não parecia estar machucada.

    — Não acredito que sobrevivemos dessa vez. – a jovem dizia aliviada, olhando para o céu.

    — Ei colega, cê tá bem? – Kailani mostrava preocupação. Não a conhecia mas ela os ajudara na batalha, mesmo que tenha sido ela a culpada por tudo aquilo.

    — Eu tô, só preciso descansar aqui cinco minutinhos. – ela ofegava entre suas palavras. – A propósito , meu nome é Harumi, mas podem me chamar de Haru.

  • Neo Conexão

    Semana especial - Neo Conexões

    Olá, pessoal! A pandemia continua forte no mundo a fora e sentimos que pouco a pouco estamos nos separando socialmente de nossos colegas e amigos.

    Nós da Neo resolvemos mostrar para o mundo que é possível estar unido mesmo no isolamento social, portanto iremos fazer esta semana ser uma semana especial no blogs da aliança. Serão postados capítulos todos os dias a partir o do dia de Segunda-feira!

    Não, não é apenas uma nova semana "fique em casa", pois para simbolizar a conexão entre os autores, cada dia desta semana não terá apenas 1 capítulo, mas sim 2 capítulos, cada um de um autor diferente!

    Para fechar no sábado com chave de ouro, teremos duas grandes revelações para vocês, a primeira é que Alola estará recebendo um novo Autor e para comemorar sua estreia, teremos um grande anúncio que promete revolucionar nossa interação com vocês!


    Confiram nosso cronograma:

    04/05 - Segunda-feira

    Neo Pokémon Kanto
    Neo Pokémon Kalos 

    05/05 - Terça-feira

    Neo Pokémon Johto
    Neo Pokémon Mystery Dungeon 

    06/05 - Quarta-feira

    Neo Pokemon Orre
    Neo Pokémon Sinnoh 

    07/05 - Quinta-feira

    Neo Pokémon Unova
    Neo Pokémon Galar

    08/05 - Sexta-feira

    Neo Pokémon Hoenn

    Neo Pokemon Decolore

    09/05 - Sábado

    Neo Pokémon Alola
    Anúncio especial no blog de Alola
  • Neo Decolore Soundtrack (Side A)



    Quem não gosta de uma boa música? Eu particularmente gosto muito, e muitas vezes ao escutar alguma é inevitável não associar com determinado personagem, logo, por que não disponibilizar os temas de cada personagem de maneira prática em único lugar?

    Aqui vocês encontrarão as trilhas escolhidas para aqueles que já apareceram e ainda aparecerão durante nossa primeira temporada, conforme avançarmos na história e novos persoangens forem introduzidos suas músicas serão adicionadas aqui :)

    Ps: Obviamente as músicas não são de minha autoria e estou apenas linkando elas para seus devidos autores :v

    Neo Decolore Season 1 Theme — Runnin' (Adam Lambert)
    Kailani's Theme — Into the Unknown (Panic! At The Disco)
    Oliver's Theme — Mukanjyo (Survive Said the Prophet)
    Harumi's Theme — Girl On Fire (Alicia Keys)
    Ayla's Theme —  High Hopes (Panic! At The Disco)
    Felix's Theme — BlkBird (Lund)
    Rafaella's Theme — Kimi No Sei (The Peggies)
  • Capítulo 4


    A garota de cabelos avermelhados caminhava pelos corredores cavados em pedra dentro daquela grande caverna. Em sua mão uma lanterna de bolso a ajudava iluminando o caminho. Ao seu lado estava seu fiel companheiro, um canino de pelagem alaranjada com manchas negras, ao redor de seu pescoço uma "juba" de pelos mais claros era vista. Um belo e astuto Arcanine. Ele a acompanhava de perto lhe protegendo das criaturas que vivem na escuridão da caverna, em sua maioria Zubats e Woobats vivendo em bandos.

    No chão, além das pedras e estalagmites que ali se formavam, podia se ver trilhos enferrujados e há muito abandonados. Já nas paredes e em parte do teto, pilares de madeira se erguiam para sustentar as escavações. As vigas de madeira apresentavam sinais de desgaste decorrente do tempo e da ação de pokemons. Os corredores eram longos e estreitos, o que somado a altura da moça apenas dificultava ainda mais sua passagem, mas ainda assim isso não seria motivo o suficiente para lhe parar.
     — Ei Kiara,  acho que estamos no lugar certo dessa vez.
    Kiara concordou com a cabeça, já estava acostumada a sua treinadora o fazer rodar por vários lugares em busca desse algo que sempre buscavam, entretanto durante todos esse tempo que buscaram juntas ela nunca obteve sucesso em nenhuma de suas caças, talvez por isso ela sempre dizia sentir que estavam no lugar certo mesmo não estando. Ela tentava dizer pra si mesma que dessa vez daria certo. Se nem ela acreditasse nisso, como poderia continuar seguindo em frente? Não tinha ninguém ao seu lado além de seus pokemon, ela precisava ser a chama que mantém viva sua esperança dando forças para seus companheiros, e, para conquistar seu desejo, essa chama iria queimar até sua morte.

    ...

    Enquanto isso, o M.V. Cloto ancorava nas terras da Cave Island. O porto era bem maior que o de Torom, mesmo que se encontrasse bem mais vazio. A ilha não era exatamente o local mais visitado pelos turistas, ainda que alguns fizessem passagem por ali, seu grande porto era resquício dos seus dias de glória. Em seus tempos áureos este era sempre cheio, navios iam e vinham a todo instante levando grandes carregamentos de carvão e diversos minérios. Suas cavernas eram a riqueza do povo, e humanos e pokemon abriam túneis nas rochas e desbravavam as profundezas das minas, mas hoje seu brilho se apagara como uma jóia que perdeu sua cor. 
    Ainda assim, para a garota que corria apressada pelos corredores do navio, aquilo não poderia importar menos. Estava animada. Muito animada. Pela primeira vez em sua vida iria conhecer um lugar diferente daquele em que sempre viveu. Seu coração palpitava e seu estômago revirava, mas ainda assim ela não parecia se afetar por aquilo. O frio na barriga não podia lhe parar. Junto a ela seu fiel escudeiro Tomy, o Rotom, flutuava ao seu lado. Os dois passavam esbarrando pelos tripulantes da embarcação enquanto ela se desculpava pelos encontrões. Em realidade ela não tinha uma necessidade real de estar correndo. Combinara com Oliver que iriam se encontrar na saída principal do navio pois precisava pegar alguns pertences deixados em sua cabine. Entretanto ela não corria por medo de o deixar esperando ou por vontade de lhe ver. Mesmo gostando de seu mais novo amigo, se é que poderia o chamar assim, sua real agitação se dava pela curiosidade pelo desconhecido e pela pressa em ser uma das primeiras a desembarcar.
    Seu Rotom fazia barulhos tentando tranquilizá-la, mesmo que não surtisse efeito algum.
    — Droga, droga, droga… Vou pegar uma fila enorme! – dizia para si mesma enquanto dobrava em uma interseção sem prestar muita atenção.
    Sua pressa não a permitiu perceber que duas garotas atravessavam em seu caminho, e nisso esbarrou nas duas com tudo. Kai logo se encontra no chão, e as outras duas tal qual também beijaram a lona.
    — PELO AMOR DE KYOGRE! EU VOU ESBARRAR NESSE NAVIO INTEIRO?!
    Kailani se recupera e, erguendo o busto, olha para as pessoas que derrubara. Uma garota de longos cabelos negros e espetados, cujos olhos eram tão escuros quanto, se encontrava no chão, e esta usava uma blusa avermelhada junto dum short branco.


    Junto a ela estava um pequeno felino que parecia assustado. Duas grandes orelhas eram vistas em sua cabeça, e sua pelagem era metade azul e metade preto com alguns detalhes amarelados, com a cauda preta contendo algo semelhante a uma estrela de quatro pontas no final. Caída ao lado da menina e de seu pokémon havia um rosto já conhecido para Kai, a garota que enfrentara mais cedo, Ayla e seu Smeargle.
    O pokémon da garota já se encontrava em um estado melhor e parecia totalmente saudável, exceto por um pouco de sujeira devido às quedas em cadeia causadas por Kai. 
    — Pra quê tanta pressa? O navio não vai sair correndo por aí. – dizia Ayla percebendo de quem se tratava, levantando-se e logo dando sua mão para que a outra vítima também se levantasse.
    Kai termina de se erguer sozinha, já se desculpando pelo incidente e prometendo que tomaria mais cuidado.
    — Eu tava indo pra área de desembarque, marquei com um amigo lá, se é que já dá pra chamar de amigo... E vocês? A propósito me chamo Kailani, e você? Quem é? Adorei seu cabelo, é tão lindo! – a garota parecia despejar informações aleatoriamente sem pausas para respirar, difícil dizer se seria causado por sua pressa em sair dali ou se simplesmente estava nervosa e tivesse se atrapalhado ainda mais após derrubá-las. Talvez um misto de tudo isso e mais um pouco. 
    A garota dos cabelos longos parecia meio confusa com a enxurrada de palavras tão repentina.
    — É.., meu nome é Rafaella, sou uma treinadora e obrigado pelo elogio, eu acho…
    Ayla se divertia com a cena, já gostava da personalidade da garota que mal conhecera, ainda que ela provavelmente tivesse algum problema para sair correndo sem rumo por aí. 
    — Por que precisa correr tanto para ver um amigo? Ele vai te abandonar se você demorar um pouco? – perguntou Rafa.
    — Nem, duvido muito que ele parta sem mim. Ele que me convidou, mas eu queria chegar na ilha rápido. – Kai replica para a outra.
    — Nesse caso vem com a gente! Estamos indo pro mesmo lugar, se eu te deixar solta você ainda mata alguém. – Ayla oferta para Kai.
    — Mas eu prometi que não ia mais correr… — cabisbaixa.
    — Se você não vai correr, qual o problema em ir andando com a gente? – Ayla questiona, divertindo-se com a ingenuidade da menina.
    A garota tinha um ponto, e Kai odiava não ter uma resposta melhor para isso, então logo se conformou. Uma companhia serviria de distração, afinal.  As três iniciaram sua caminhada, e Kai parecia empolgada em conversar com garotas de idades próximas a dela, já Rafaella, no entanto, olhava confusa para a primeira. Nunca vira essa garota antes, ela dormira um pouco além da conta durante um dia e sua companheira já encontrara uma nova amiga. Ayla, percebendo sua confusão, logo explicou os eventos que aconteceram durante a manhã, com direito a narração da batalha entre elas e a algumas licenças poéticas para torná-la mais empolgante de ser ouvida.
    — Vocês viajam juntas há muito tempo?
    As duas pararam pra pensar um pouco, e logo o tempo em que começaram parecia tão distante... Mas ao mesmo tempo era como se fosse ontem. Uns seis meses, foi o que concluíram juntas.
    Os olhos de Kai brilhavam. Para elas era apenas algo normal, mas para a garota dos cabelos acinzentados aquilo seria um sonho se realizando. As encheu de perguntas. De onde eram? O que faziam viajando? Como chegaram nesse navio? 
    Descobriu mais coisas sobre as meninas. Ayla era de Capacia, e Rafaella vinha de Honey, ambas nascidas no arquipélago. Viajavam juntas pelo puro acaso do destino. Duas jovens que se encontraram em meio a imensidão do oceano e decidiram que seria uma boa idéia seguirem juntas, e até agora não tinham do que reclamar, adoravam a companhia uma da outra e não se importariam de vagar por esses mares enquanto estivessem juntas.
    Kailani ouvia tudo atentamente. Não diria isso para elas, mas lá no fundo de seu coração sentia uma invejinha delas. Gostaria de ter uma relação assim com alguém algum dia, mas por enquanto se contentaria em focar na sua missão até Honey. Se ficasse pensando em tudo o que poderia ser o futuro não aproveitaria o presente e se odiaria por isso mais tarde.
    O trio caminhou por quase dez minutos falando de trivialidades da vida de forma descontraída. Andavam despreocupadamente sem pressa alguma. Estar com outras pessoas manifestava um efeito tranquilizante em Kai, quando sozinha ela se perdia em seus próprios medos e pensamentos. 
    Seus pokémon interagiam entre si de maneira amigável. Tomy e Snoopy não aparentavam terem rancor de sua batalha, e o pequeno Shinx corria agitado atrás do pokemon fantasmagórico.
    Não demorou até avistarem um garoto apoiado de maneira relaxada na lateral do navio, olhando em direção ao mar. Seu cotovelo se apoiava numa das barras enquanto sua mão servia de descanso para seu rosto. Observando de longe Kai teve a leve impressão de que talvez ele estivesse dormindo, ou talvez apenas fosse algo de sua imaginação e ele fechara os olhos para apreciar a brisa vinda do oceano.
    Curiosamente, mesmo quando já estavam bem próximas do garoto ele não aparentava perceber sua presença, sendo necessário que Kailani o tocasse levemente com a ponta de seu dedo. 
    O rapaz deu um salto para trás assustado mas logo se acalmando ao perceber de quem se tratava.
    — Que susto garota! – ele sorria genuinamente, mesmo que sua aparência sugerisse cansaço. Parou por um momento ao perceber que a garota não estava sozinha – Ei! Acho que já vi vocês pelo navio…
    — Claro que já nos vimos! Sempre vejo você na sala de batalhas. – Ayla responde para o garoto.
    — Ah sim! Você é a garota que desenha as batalhas ali das arquibancadas, né?
    Ayla afirmou positivamente com a cabeça, surpresa pelo rapaz ter notado sua presença que normalmente passava despercebida em meio as espalhafatosas batalhas que lá ocorriam. 
    Durante alguns momentos o pequeno grupo de jovens parou ali. Enquanto esperavam o desembarque dos passageiros ser liberado, fizeram as devidas apresentações e chegaram a trocar números, e para surpresa das garotas Oliver carregava consigo um aparelho em seu pulso semelhante a uma grande pulseira, que possuía detalhes em preto e azul com uma tela sensível ao toque, um Xtransceiver, objeto comum nas terras temperadas de Unova, mas que por algum motivo não fizera tanto sucesso em outras partes do mundo. Ainda assim o aparelho apresentava conectividade com celulares comuns.
    — Bem que desconfiei que você tinha cara de gringo. Tu é de Unova, né guri? – Ayla era direta ao ponto em suas afirmações.
    O garoto sorriu, concordando com um aceno.
    — Sou sim. De Castelia, para ser mais específico. – ele não parecia reagir bem a subitamente se tornar o centro das atenções, mas ainda assim contou um pouco de sua cidade natal, uma metrópole cheia de grandes prédios e de pessoas atarefadas, embora fosse de se surpreender o fato de que deu mais ênfase nos famosos Casteliacones do que nas ditas construções e multidões.
    Ele vinha de uma realidade totalmente diferente de Kai e sua cidadezinha. Talvez a pessoa que tivesse uma noção mais próxima da dele seria Ayla. Capacia era a maior cidade de todo o arquipélago, um lugar belo com arranha-céus e tudo que se tem direito em uma cidade grande, desde uma faculdade para qual os jovens das ilhas vão estudar até o laboratório da região. Claro que grande parte do progresso obtido se deva a duas mulheres nascidas lá, as quais se destacaram em todo o mundo em suas respectivas áreas, embora em intervalos de tempo diferentes, sendo estas a antiga professora da região de Decolore, Tulip Bell, e a treinadora Aurora, que ficou conhecida como a mulher que conquistou o mundo. As duas tiveram grande influência no desenvolvimento não só da ilha como também do resto do arquipélago. Elas atraíram olhares curiosos do mundo inteiro para estes pequenos amontoados de terra em meio aos grandes mares, e mostraram que aqui existia um potencial latente apenas aguardando o momento certo para mostrar seu brilho a todos.
    Durante um tempo eles ficaram ali, trocando vivências e histórias de suas vidas, enquanto aguardavam o já dito desembarque. Não durou muito até que Diego, o rapaz que auxiliara Kai no embarque  a algum tempo, aparecesse ali. Ele guiava as pessoas as dividindo em duas grandes filas para quem fosse desembarcar, sendo uma para os passageiros que encerrariam sua viagem por ali e precisavam sair levando todos os seus pertences, e outra para os passageiros que ainda seguiriam no navio, mas gostariam de conhecer a ilha. Estes podiam descer mais rapidamente e apenas apresentar seus cartões ao retornar pro navio.
    Os quatro caminharam até a fila “rápida”. Todos pretendiam voltar, e como não haviam ainda outras pessoas querendo desembarcar para turismo logo eles foram os primeiros a serem atendidos.
    Quando Diego avistou Kailani e Oliver esboçou uma expressão de susto ao vê-los ali.
    — Como vocês conseguiram chegar aqui? Todo dia vejo centenas de pessoas, mas certamente não me esqueceria da dupla de loucos que saíram correndo sem bagagens para a floresta quando o navio estava prestes a sair. – ele sorria enquanto lembrava da cena.
    As duas garotas que os acompanhavam também pareciam surpresas.
    — Você tem cara de santinha mas é o próprio Giratina né garota? – Ayla parecia se divertir imaginando o ocorrido.
    — Ei, não foi bem assim! – parou, e pensou um pouco – Quer dizer, foi, mas a gente teve nossos motivos! – concluiu.
    — Não quero imaginar o que vocês precisam fazer com tanta pressa no meio do mato - dessa vez era Rafaella que entrara na brincadeira. Ela parecia se soltar mais conforme o tempo passava.
    — Até você? – Kailani já parecia ter desistido de se justificar, podia explicar outra hora, caso decidissem lhe dar ouvidos.
    Todos fizeram os procedimentos padrão, tendo que recolher seus pokémon nas pokeball, podendo assim descer sem maiores problemas. Também foram avisados de que o navio passaria dois dias ancorado lá, sendo assim, teriam muito tempo para conhecer o lugar. Passaram por uma passarela branca que se ligava a uma escada e permitia que os passageiros descessem em segurança e simplicidade até o porto.
    No lugar não haviam muitas pessoas, apenas alguns funcionários circulavam levando malas e outras coisas e uns poucos transeuntes que se dirigiam a outros navios ali aportados, fazendo ajustes para as próximas viagens ou abastecendo os cargueiros. 
    O local não chegava a ser tão belo quanto Torom. Como tinham menos turistas logo não se preocupavam tanto com isso. Mesmo assim o local não era feio, sendo arrumadinho na medida do possível.
    Ayla e Rafaella já pareciam habituadas a viagens por lugares diferentes. Conversavam entre si sorrindo e analisando o que fariam nesse tempo, para elas era apenas mais um dia comum. Oliver não parecia animado, na verdade, surpreendente seria se ele estivesse animado com algo. O garoto apenas parecia apático ao ambiente ao seu redor.
    Por sua vez, Kailani estava agitada. Tudo era um novo mundo para ela, as pessoas se vestiam de formas diferentes, andavam de forma diferente, e até o ar parecia ser diferente!
    Durante um momento a garota simplesmente parou fechando seus olhos e inspirando o máximo de oxigênio que conseguia. Logo em seguida começou a tossir repetidamente.
    — Você tá bem? – Rafaella perguntou de forma preocupada.
    — Tô sim, só o ar que é meio pesado. – sua tosse começa a cessar.
    — Sei como é. Quando eu saí de Honey também tive dificuldade, mas depois você vai acostumando. Se precisar de algo estou aqui. – ela falou com gentileza. Não era tão extrovertida quanto sua companheira mas tinha sua própria forma de mostrar afeição. 
    O ar de Cave era mais poluído que o de Torom, muitas das minas haviam sido fechadas pelas péssimas condições mas ainda assim as que restaram mantinham a queima de carvão de maneira regular. Não chegava a ser poluído o suficiente para impedir que as pessoas vivessem normalmente, apenas para o azar de Kailani e Rafaella, que vinham de cidades com pouquíssima poluição. Para elas essa mudança era óbvia, já seus parceiros de viagem não pareciam notar nenhuma diferença. 
    Eles caminharam por um tempo. Oliver usava seu Xtransceiver para acessar um mapa da região, e assim guiá-los até um Centro Pokemon, locais onde os treinadores podem levar seus pokémon para receberem tratamento de forma gratuita e passar a noite em segurança sem muitos custos. 
    Enquanto passavam pelas ruas Kailani observava tudo com atenção, chegava a ficar para trás quando via algum ser desconhecido pela rua. Parecia uma criança que ganhara seu presente de Natal adiantado. Por vezes algumas pessoas a olhavam com estranhamento, mas ela não poderia se importar menos.
    Tudo para ela era novo e atrativo. A arquitetura da cidade e organização eram diferentes do que estava acostumada. As casas quase não tinham espaçamento entre si, em sua maioria eram brancas ou em algum tom de marrom, e seus telhados também eram padronizados, sendo que vistas de longe as casas se assemelhavam a uma grande fileira ininterrupta, variando apenas em tonalidade. Um rio cortava a cidade, vindo de uma das montanhas e desaguando no mar. Ao longe, próximo aos grandes montes de pedra, era possível ver algumas fábricas. Em seu caminho viram algumas praças e pontos com áreas verdes, mesmo que  o local fosse composto em sua maioria por longas subidas em ladeiras não tão íngremes. 
    — Por que estamos indo para um centro pokémon mesmo? – Kai perguntava, tentando puxar assunto, mesmo que parecesse mais interessada em um Excadrill que subia a rua ao lado de um homem. 
    — Nós precisamos de um lugar pra passar a noite, e ficar voltando ao navio dá muito trabalho. – respondeu Rafaella. – Sem contar que os Centro Pokemon são gratuitos para quem tem licença de treinador.
    — Ah! É mesmo, tinha esquecido… – Kailaini não sabia disso, nem tampouco tinha licença de treinadora, mas não tinha noção de como dizer isso.
    Após uns dez minutos de caminhada chegaram a uma construção que se diferenciava das demais. Era retangular como as casas e toda esbranquiçada. Seu telhado era vermelho, o que por si só chamava atenção em meio ao tons neutros, e em seu centro havia a representação de uma pokeball. Logo abaixo estavam a porta de entrada para o interior e algumas janelas ao seu lado.
    Passaram pela porta que se abria automaticamente, adentrando o ambiente climatizado. As paredes eram brancas com alguns cartazes oferecendo vagas de emprego ou divulgando competições para treinadores colados a elas. Em alguns bancos treinadores aguardavam pacientemente pela recuperação de seus pokémon e alguns Chansey e Audino andavam pela área carregando bandejas com remédios para os pacientes em estados mais graves, que ficavam nas áreas interiores, separadas das demais. Duas escadarias laterais levavam ao andar de cima onde ficavam os quartos para que os viajantes pudessem descansar.
    No centro do local havia um balcão circular onde uma mulher de cabelos castanhos estava. Esta usava um vestido rosado com detalhes laterais brancos, e em sua cabeça usava um chapeuzinho médico nas mesmas cores. No seu vestido era possível ver um crachá escrito em letra cursiva "Dra. Nilce" 
    — Boa tarde, em que posso ajudar vocês? – ela sorria educadamente.
    — Queremos alguns quartos para passar a noite. – disse Oliver
    — Eu e a Rafa podemos dividir um, a gente já tá acostumada. – disse Ayla prontamente.
    — Um momento. – ela acessou o computador em seu balcão, verificando a disponibilidade dos quartos. – Nós temos alguns livres sim, algum de vocês tem licença de treinador?
    Oliver moveu-se um passo para frente enquanto puxava de um dos bolsos uma carteirinha com o símbolo de Unova, a entregando para a enfermeira. O pequeno documento continha informações necessárias sobre o treinador, tal como seu nome, idade, número de registro e  dentre outras.
    Ela a analisou brevemente, embora tenha dado uma curta parada dado momento. O modelo era diferente do padrão usado na região, ainda que os dados fossem os mesmos.
    — Oliver Jones, confere? 
    Ele acena com a cabeça positivamente enquanto suspira.
    — Aqui estão as chaves. Seus quartos são os de número quatro, cinco e sete. – ela entrega nas mãos de Oliver as chaves, e este as redistribui para cada um dos envolvidos com os respectivos números marcados. – Espero que apreciem sua estadia.
    Pegando as chaves em suas mãos Ayla passou seu braço por cima dos ombros de Rafella a puxando para perto de si.
    — Nós vamos subir e depois precisamos resolver algo. Se precisarem de algo nos liguem, e não façam nada que eu não faria! — disse. 
    Terminou sua frase piscando para os outros dois e levando Rafaella consigo. Kai e Oliver observaram as duas amigas subindo as escadas. Vendo de longe elas eram até fofas, sendo que Rafaella era consideravelmente mais baixa que Ayla, o que fazia com que a menor precisasse dar quase dois passos para acompanhar a mais alta.
    Os que ficavam se viraram um para o outro, sem saber direito o que acontecera ali.
    — Bom, e agora? Fazemos o quê?

    ...


    Em meio aos túneis de rocha uma garota vagava já sem ânimo. Estava lá há horas. Nem sinal do que tanto buscava. Já se arrependia daquilo tudo e caminhava usando todo o seu ódio daquele espaço apertado. Se sua chama se mantinha viva, certamente ela não se usava de um poder da amizade ou algo do tipo, tudo o que lhe mantinha seguindo em frente era sua própria determinação.
    — Ei Kiara, acho que não foi dessa vez. – ela força um sorriso no rosto, mas não é o suficiente para enganar sua fiel parceira canina.
     A Arcanine, percebendo a tristeza de sua dona, se encosta em suas pernas balançando sua cabeça e fazendo com que ela afague sua juba numa singela tentativa de fazer seu humor melhorar.
    Ainda que esse breve momento fizesse com que ela olhasse os arredores com mais calma, agora percebia que as antigas reminiscências da presença humana não estavam mais lá. Tudo o que ela via era a rocha cavada de maneira irregular e bruta, como se uma grande criatura tivesse imposto toda sua fúria naqueles corredores e criado sua própria passagem.
    — Ah não...
    Estava tão distraída com suas conclusões sobre o que poderia ter forçado uma passagem ali que não percebera estar caminhando diretamente para a cauda de um grande ser. Tropeçou naquilo, indo ao chão e praguejando alto, com alguns arranhados que sofrera na queda.
    — MAS QUE DESGRAÇA É ESSA?
    Olhou o entorno,  e logo focalizou num ponto onde via uma imponente sombra  que julgara se tratar de um ser vivo, mas não conseguia diferenciar bem em meio a escuridão que tipo de criatura seria aquela.
    Retirou de um dos bolsos em sua camisa um aparelho vermelho que se assemelhava a uma agenda, que ao se abrir tinha diversos botões e uma tela no meio. O objeto acendeu seu ecrã e apitou quando ela apontou na direção do vulto, emitindo então uma voz robótica.

    " Steelix, o pokémon serpente de aço. Possuem uma espessa camada de ferro que os defendem de ataques. Muitos se originam nas profundezas da terra, quando um Onix absorve muito ferro e fortifica sua defesa em meio ao calor."

    Quando a máquina parou de “falar” a garota pôde ouvir o som de ferro batendo contra uma pedra. O Steelix despertara com o ruído robótico e agora se virava furioso na direção de quem invadira seu território. Ela então conseguiu vê-lo melhor, seu corpo inteiro parecia, tal como o era, feito de aço e sua cabeça apresentava uma bocarra que poderia lhe esmagar com facilidade.
    — Tá de sacanagem comigo...CORRE KIARA!
    As duas correram para a direção da qual vieram o mais rápido que podiam. O gigante de aço, percebendo que seus incômodos visitantes fugiam, parecia ainda mais irado. Ele abriu sua grande boca, emitindo um longo e sonoro ruído metálico que ecoou pela caverna inteira, despertando qualquer ser que vivesse ali enquanto disparava em busca da garota de cabelos ruivos.
  • Fica em Casa


    Olá, pessoal! Com a pandemia do Covid-19, praticamente toda a população global passou a adotar medidas para diminuir a disseminação do vírus, desde medidas de higiene até o isolamento social. Sabemos que todos gostamos de estar perto daqueles que amamos, seja em casa ou na rua, por isso, nós da Neo Aliança decidimos fazer aqui uma semana especial para tornar esse período mais fácil para nossos leitores. Serão postados capítulos todos os dias a partir o do dia de hoje! Esperamos que esses capítulos sejam uma contribuição, ao menos que pequena, para tornar a quarentena de vocês mais fácil.
             Ah! E também teremos a inauguração de uma nova região ao final dessa semana. O Wall retornou à Neo Aliança e agora será responsável para dar vida aos personagens do Pokémon Colosseum, da região de Orre!

            Lembrem-se! Manter distância é um ato de empatia, mas a leitura ultrapassa qualquer distância!

    Confiram nosso cronograma:

    21/03 - Sábado:Neo Pokémon Kalos
    22/03 - Neo Pokémon Mystery Dungeon 
    23/03 - Neo Pokémon Galar
    24/03 - Neo Pokémon Johto
    25/03 - Neo Pokémon Kanto
    26/03 - Neo Pokémon Unova
    27/03 - Neo Pokémon Hoenn
    28/03 - Neo Pokémon Sinnoh
    29/03 - Neo Pokemon Orre (Inauguração!)
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